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Neste dia

O Alves

Neste dia

Escola Secundária de Alves Redol - Escola Sede

"Vocês, os mais novos, vão encontrar belas coisas para fazer...
Nessa altura, se o merecer, lembrem-se de mim.
"

Patrono

Escritor português natural de Vila Franca de Xira, Alves Redol foi uma figura central no Movimento Neo–Realista Português, sendo autor de uma vasta obra, que inclui o romance, o conto, o teatro e o cinema. De entre a sua obra destacam-se, Gaibéus (1939), Fanga (1943) e Barranco de Cegos (1962), porventura o seu romance mais conseguido.

António Alves Redol, de seu nome completo, filho de António Redol da Cruz (comerciante) e de Inocência Alves Redol, nasce com 4,200 Kg, em Vila Franca de Xira, a 29 de Dezembro de 1911, no 2.º andar do n.º 24, da antiga Rua do Açougue (hoje Rua dos Combatentes da Guerra Peninsular).

Aos sete anos é mandado para uma escola particular e, aos onze, efectua o seu primeiro exame. Por vontade do seu pai começa a trabalhar ao balcão do seu estabelecimento comercial (situado onde hoje se localiza a Estação dos Correios) e é aí que tem oportunidade de se aperceber do mundo dos gaibéus, dos avieiros, dos camponeses e dos pescadores da sua região.

Apercebendo-se que o filho não tinha jeito para o ofício, o pai deixa-o prosseguir os estudos. Em 1923 faz exame de admissão ao liceu Passos Manuel, em Lisboa, que não chega a frequentar, inscrevendo-se no colégio Arriaga, também na capital, onde, em 1927, conclui o Curso Comercial com a média de dezasseis valores. Em Julho desse mesmo ano, inicia a sua colaboração com o jornal vilafranquense, Vida Ribatejana.

Consciente das dificuldades financeiras que a família atravessa, pede ao pai para o deixar ir para Luanda, com apenas 16 anos de idade. No dia 5 de Abril de 1928, embarca no navio Niassa, a caminho de Luanda, onde deu lições numa escola nocturna, prestou serviço na Repartição da Fazenda de Luanda e, finalmente, na delegação da firma Bernardino Correia & Cª, na secção de automóveis. Depois de deduzidas as suas despesas enviava dinheiro para o pai para que este liquidasse as suas dívidas.

Passados quatro anos, em Junho de 1931, doente e com dois mil escudos, regressa a Portugal. É operado ao estômago sendo-lhe retirada uma parcela e vai para casa dos seus avós paternos, numa localidade do concelho de Tomar. Recomposto pelo bom ar entre os pinhais, regressa e emprega-se como guarda-livros num estabelecimento do Cartaxo. Pouco tempo depois vai para Lisboa, para a Procuradoria–Geral dos Municípios onde chega a chefe do escritório.

Desde cedo tem uma participação muito activa na vida social do concelho de Vila Franca de Xira, cuja dinâmica mobiliza as classes trabalhadoras, sobretudo graças à acção de colectividades como o Grémio Artístico Vilafranquense – onde, em 1934, realiza a sua primeira palestra “Terra de pretos, ambição de brancos”, sobre a colonização portuguesa em África – e o Sport Lisboa e Vila Franca. Alves Redol profere e organiza conferências e palestras, atento e identificado com o Povo. No entanto, a polícia política encerra esta colectividade, onde, através das aulas nocturnas de alfabetização, se incutia a consciência das causas de uma sociedade profundamente injusta. Militante do Partido Comunista Português, começa aqui o contacto entre o grande escritor e a política repressiva de então, o que virá a condicionar a sua produção literária, pelo efeito da censura.

Além da actividade desenvolvida em colectividades, Redol dá aulas de aperfeiçoamento profissional para os membros da Associação de Classe dos Operários da Construção Civil. É ainda aluno e professor de Esperanto.

Em 1936, Alves Redol casa-se com Maria dos Santos Mota e publica, em 1939, o romance Gaibéus, obra que pode ser considerada fundadora do neo-realismo português, pela renovação dos processos literários, nomeadamente, pela centralização da acção na personagem colectiva dos ceifeiros. Em 1943, foi posta à venda a primeira edição de Fanga. A sua primeira obra de teatro, Maria Emília, foi representada em 1946.

Em 1948 integra a delegação portuguesa presente no Congresso dos Intelectuais Para a Paz, realizado em Wroclaw, usando da palavra em nome daquela delegação e, no mesmo ano, funda, em Vila Franca de Xira, a sociedade Redol & Cª Lda., que negociava em betão pré-fabricado.

Recebe o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências, em 1950, com a obra Horizonte Cerrado.

Após um período de grande sofrimento morre em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, no dia 29 de Novembro de 1969, aos 57 anos de idade.